Quando chegou o dia de dizer adeus,
a campainha parecia não parar de tocar. Todos lamentavam.
A história parecia está arranhada. Repetiam. Dor. Choro.
A criança gritava, inocente. Não entendia, era um adeus.
Mas para ela ainda era o desenho do batman, "liga a tv" enquanto choramingava.
em meio a mensagens e torpedos, um deles o reflexo
da inocência de um quase pré adolescente:
"Acabou. Ele não vai mais aparecer e trazer nego bom, nem quebra-queixo, nem aquelas coisas gostosas que trazia sempre".
Para ele, foi doce.
Sua presença era doce.
Já eu... eu ouço a voz, velha e cansada
mas que com sorriso sempre se instalava
pertinho da hora do almoço,
Eu fecho os olhos e o vejo...
Ele aparece com alegria. Posso ver-lo.
Saudade. -falo baixinho-
no singular mesmo. 'Saudade'.
Egoísta e singular. Uma saudade de um modo único.
em meio a uma sequencia de silêncios, uma voz cansada procura o conforto
" quando chega a idade é assim mesmo. Deus faz a sua vontade"
Mas,
As coisas continuam estranhas...
vem gente vindo de um lugar que nunca vi.
Vejo rostos e passos de gente que nunca vi.
Mas me sorriam...
um sorriso amarelo, forçado,
transpassando uma dor apertadinha cor de begem
e ainda sim, me perguntam se está 'tudo bem'..
"sim", a educação ainda persiste,
mas sabemos que não esta nada bem.
tentam disfarçar a dor com conversas.
fala-se de outra coisa, de outras pessoas,
mas, hora ou outra se remetem ao ocorrido.
Ainda dói. É recente. Mas posso ver o carinho de muita gente
Gente que não se ver há anos.
É preciso a morte pra mudar os planos.
Rever velhos. Contar os anos.
Falar mal daquela prima que engordou,
Ou a quantidade de filhos que já aumentou
Há conversas e risos, mas no final fica o sopro, o arrepio
o silêncio do vazio
o eco da voz de quem habitava agora pouco,
mas deixou o espaço oco,
no peito,
faltando um, faltando 'o doce de banana'...
A noite chegou quando ainda era dia.
Não deu oito e todos dormiam.
Dia exausto, um punhado de cansaço
e perdas...
-mariaqualquer
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