sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Uma carta para um desconhecido

Uma carta para um desconhecido
Oi! eu nunca achei essa forma muito adequada pra começar uma conversa–por mais que eu esteja só- , mas, OI! Oi, sei lá quem. Quem é você? É... Tudo bem? É que na verdade eu só queria te dizer que você estava ali, parado no sinal vermelho em ponto morto, mas eu te olhei tão vivo e distraído que estacionei meu olhar em ti e bem ali me encantei.... É! Eu sei que isso vai te soar estranho por mais que eu nem saiba qual seja o seu conceito de estranheza. Não, não! VAMOS RECOMEÇAR. É.. Oi! Eu não sei bem por onde você ia, mas, eu queria ir para o mesmo lugar. Se eu pudesse te falar agora eu falaria o quanto eu pensei e repensei no quanto podíamos ser felizes juntos. É! Eu pensei! Mas, talvez se você me conhecesse teria fugido dessa minha loucura de imaginar demais, eu inclusive imagino que se um dia você pudesse ler essa carta você estaria sentado, só que dessa vez não no banco seu carro –um Siena, inclusive-  você estaria dessa vez em uma cadeira de madeira velha e com um copo de Nescau na beira da mesa, isso! Nescau! Sim, claro! Eu imagino que você goste muito porque é a minha bebida predileta, e é por isso inclusive que eu imagino. Também imagino que se você tivesse lendo essa carta agora estaria pensando no quanto eu sou e fui atirada em me vidrar na janela do carro e te olhar bem discarada, mas, não me importa. Se eu te visse agora eu não tentaria te convencer que eu sou tímida. Sim, eu sou t-i-m-i-d-a. Eu não sei o que me prendeu, mas eu sei que foi você. Eu te escrevo agora e nem sei o porquê e nem o seu nome, mas, mesmo se eu soubesse daquele instante até agora eu te chamaria de amor, é! Amor por me fazer pulsar inquietações gostosas, por querer colocar anúncios do tipo ‘’procura-se o amor do carro ao lado’’, por imaginar e me fazer planejar uma vida ao seu lado, inclusive filhos -Sim, os fizemos em segundos, na verdade eu fiz só-. Tudo isso enquanto a porra do sinal não abria para seguirmos nossas vidas como apenas desconhecidos. Mas, olha, não demorou muito e o sinal abriu, agora não importa o quanto tentemos nos acompanhar, pessoas entram na frente e eu tenho que acelerar, mas, afinal, para onde é que tu vais? Eu imagino que vá dá a volta e no retorno me encontre parada bem na esquina, te esperando. -Claro! Mas vou fingir que não -.  É ... eu imagino muito! Costumam dizer que eu tenho a imaginação fértil e que isso não cabe ao mundo real! Então... OI! Oi você que poderia ter sido o amor da minha vida mais que dobrou a esquina e não nos vimos nunca mais. Oi você desconhecido que parou no sinal vermelho no ponto de trás. Oi, é isso! Na verdade, eu só queria te dizer OI, mesmo sendo a melhor ou a pior forma de iniciar um diálogo eu só queria inicia-lo, mas, agora eu estou aqui te escrevendo entalada e tola por não ter te dito um simples OI!

Atenciosamente,
   A moça do carro ao lado, uma mariaqualquer. 

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